MALIBU
E se eu morresse agora? Eu não andaria mais pelas ruas da cidade, não pegaria mais aqueles ônibus e não sorriria para alguns estranhos simpáticos. Eu não atenderia os telefonemas dos meus pais, nem responderia as mensagens de texto dos meus amigos. Eu não iria mais encontrar com as pessoas com quem estudo, não tiraria mais dúvidas com os professores e não sairia para comer na loja de conveniência que fica perto do meu prédio. Ninguém jamais voltaria a ouvir uma só palavra minha, e as músicas que tocarão nas rádios causariam angustia para quem já as ouviu de mim. Ninguém voltaria a presenciar meus ataques de risos espontâneos, e o som da minha gargalhada se calaria para sempre. Nunca mais poderia eu reclamar da vida, do que me falta e do que me faz mal. Alguém de repente passaria a apreciar os meus surtos? Irá alguém dizer que preferiria mil vezes me ouvir reclamar a presenciar o barulho do meu silêncio? Depois de uma semana, quando passarem em frente a minha casa, lembrarão que foi ali que vivi? Lembrarão de mim?
Ela esta lá fora, na esquina da minha casa, no portão da rua, na varanda que leva ao jardim. Ela tem cheiros, cores, texturas, sabores e ternuras.
Chama-me para bailar, para se arriscar, para viver, eu tento tocá-la, mas sempre fluida escapa entre meus dedos. Faço planos para conquistá-la e ela ri da minha cara, esnoba dos meus horários, se desfaz da minha lista e mostra-me como sou imaturo, mesmo assim continuo com o brilho nos olhos a ansiando.
Ao contrario de mim ela é simples, sonha em pular carnaval na Avenida Paulista, passar o inverno em Paranapiacaba, colher morangos em Holambra, nadar em Santos e comprar livros em algum sebo no interior.Acho lírico quando ela fala, mas não posso acompanhá-la, aos 16 o dinheiro é curto e ela limitada, nossos pais ainda são autoritários e o vestibular próximo. Já comprei uma mala, umas toalhas e nécessaires, para caso o grito dela seja tão alto que eu não consiga resistir.
Por enquanto eu fecho as janelas, tampos os ouvido, distraiu-me como posso e contento-me com histórias de outras pessoas, esperando pacientemente pelo dia que ela será permitida e poderei me perder nos cheiros e tons de suas coxas, belas e macias.
Hoje é domingo de Carnaval e ela está lá fora me chamando, já mandei avisar que não estou, porém a ela não consigo enganar e as suplicas por conhecê-la estão me deixando louco.
-Vitoria Carolina
Refletiu nos meus olhos, adeus, solidão. Duas histórias que se cruzam sem intenção. Combustível pra alma, minha inspiração, povoando minha existência e imaginação. Quando fecho meus olhos sempre posso sentir os seus olhos e seus lábios sorrindo pra mim. Nado nesses seus olhos, mar de inspiração. Tua boca, tua pele, teu cheiro é canção… Eu vou cantar pra ela que sem ela não existo mais. Eu vou cantar pra ela que eu sempre a quero mais, e eu vou dizer pra ela que ela é luz que me traz paz. Teus cabelos, meus dedos, vigor e desejo. O suspiro e o sal na pele começa com um beijo. Nossas bocas, duas peças, encaixe perfeito. Eu me entrego nervoso, mas nunca com receio.
Eu tinha um outro futuro para mim, outras projeções de autoimagem, eu tinha normas de conduta que acabaram capotando em alguma curva antes do pórtico de entrada na vida adulta. Com um pouco de sorte, tudo isso não passa de um sonho ruim, e daqui a pouco vou acordar todo suado e atrasado para a primeira aula, na velha cama de solteiro da casa dos meus pais, de frente para meu pôster da Legião Urbana. Se não for possível mudar tudo que eu fiz, só peço então para esquecer, ou então não ficar lembrando disso o tempo todo.
Ninguém quer ficar sozinho. Eu também não quero. Mas não quero alguém-comum. Quero alguém diferente. Uma pessoa que goste de viajar. Goste de cachorros. Cinema. Que entenda a minha Tpm. Não quero uma pessoa que me canse. Nem que me dê muito trabalho, muito pelo contrário. Quero uma pessoa simples. Que seja fácil de se apaixonar e que se de bem com os meus amigos. Que goste dos dias frios e ensolarados (que saiba que são meus preferidos). Que tenha pequenos sonhos. E grandes sonhos. Que divida os sonhos. Que me conte a sua história (e que saiba que eu sou apaixonada por histórias). Que tenha atitude. E personalidade. E seja inteligente. Que tenha olhar sincero e sorriso verdadeiro. Quero alguém que não ache vergonhoso chorar. E se sentir perdido. E que entenda o meu sorriso-segurando-choro. E que não ache coisa de menininha uma mulher chorar. Alguém que viva. E que saiba amar. Alguém que já tenha tido um amor. E que já tenha chorado por ele. Afinal, quero alguém que saiba o que é amar. E que saiba dar valor pra isso.
-um próximo amor
Nos conhecíamos a tão pouco tempo, mas eu já sabia o que aquele olhar queria dizer: Sexo. Uma simples troca de olhares era quase uma transa entre nós, apenas aquele cheiro de meu homem que ele tinha já me deixava excitada. Quando me dei conta ele já estava com a boca no meu pescoço, mordendo, chupando e sentindo meu corpo. Meus lábios sentiam uma necessidade tremenda do seu beijo, meu corpo tinha pressa em sentir ele todo dentro de mim. As mãos dele exploravam por entre minhas pernas já bambas, ele me conhecia tão bem, eu não queria que parasse, gemidos saiam da minha boca involuntariamente. Eu não era de muitas loucuras mas ele trazia todos os meus desejos e instintos a tona e eu não me importava, só queria que aquilo não acabasse. Ele me puxa pela cintura e morde de leve minha boca, eu sei que agora é minha vez. Desço minhas mãos pelo seu corpo até chegar exatamente onde eu queria, ele já estava pronto pra mim não penso duas vezes e começo passando minha língua lentamente pela cabecinha do seu pau, ele puxa meu cabelo com força e então eu começo a chupá-lo intensamente, arrepios subiam pela sua coluna dorsal e gemidos quase inaudíveis saiam da sua boca, eu realmente sabia como enlouquecer aquele homem. De repente ele me para, e coloca-me em cima da bancada enquanto sua boca encontra ardentemente a minha, não paro pra pensar e coloco minhas pernas em volta da cintura dele, ele sabe que isso é um pedido de “me fode com força”, e é o que ele faz, penetra fundo em mim, metendo ora rápido ora devagar me fazendo gritar de prazer, nossos corpos se perdem em sincronia e o cheiro do nosso sexo se espalha pelo ar. Ele não só fode comigo, a gente faz amor.
Eu sempre soube que você era o meu amor. De alguma estranha forma eu já sabia. Assim que te vi alguma coisa em mim mudou. Meu sorriso, meu jeito de mexer no cabelo, minha forma de olhar a vida. Quando a sua mão tocou meus dedos um sentimento tranquilo invadiu o meu peito. Esse mesmo sentimento dura até hoje e tenho certeza que vai viver aqui dentro para sempre. Sabia que era você. Sabia que era no seu peito que a minha cabeça repousaria. Sabia que era nos seus braços que meu coração sossegaria. Sabia que era na sua boca que meus segredos seriam revelados. Sabia que era a sua mão que a minha buscava. Sabia que era o seu sonho que procurava o meu sonho. Sabia que com você eu entenderia e aprenderia essas coisas que hoje a gente sabe que levam o nome de amor. Nunca quis alguém que me prendesse. E você, mais do que ninguém, me liberta todos os dias. Inclusive de mim mesma. Quando algo muito bom acontece é para você que quero dar as melhores notícias. Quando um fantasma me atormenta é em você que eu quero buscar abrigo. Você é meu parceiro, meu amor, meu bem mais precioso. Nada, nada mesmo, é mais importante do que esse sentimento tão bonito e verdadeiro. E que cresce e se solidifica a cada dia, a cada gesto, a cada palavra, a cada certeza. Obrigada por existir na minha vida. Obrigada por me ajudar a jogar os medos no lixo. Eu tinha um medo danado de amar. Hoje ele foi embora. Graças a você, meu amor.
Como podemos amar tanto uma pessoa assim? Esse sentimento chega a me assustar, porque o que sinto por ele é algo tão forte que não da pra descrever. Mesmo depois de anos sem contato algum ele ainda consegue mexer comigo, isso é incrível, nunca pensei que pudesse amar alguém assim, e está doendo ficar longe dele. Ah! como está.
“Sou sobrevivente de um campo de concentração. Meus olhos viram o que nenhum homem deveria ver. Câmaras de gás construídas por engenheiros formados. Crianças envenenadas por médicos diplomados. Recém-nascidos mortos por enfermeiras treinadas. Mulheres e bebês fuzilados e queimados por graduados de colégios e universidades. Assim tenho minhas suspeitas sobre a educação. Meu pedido é: Ajude seus alunos a tornarem-se humanos. Seus esforços nunca deverão produzir monstros treinados ou psicopatas hábeis. Ler, escrever e saber aritimética só são importantes se fizerem nossas crianças mais humanas.”
(Texto encontrado após a Segunda Guerra Mundial, num campo de concentração nazista.*)